-Submersão-
A menininha que eu já fui um dia sorri irônica e diabólica, sem ter a mínima noção disso. Com seu um metro e cinquenta, milhares de ideias e três livrinhos amaçados de verso e desenho.E eu a vejo e choro porque ela é distante e aérea. Eu choro porque me lembro de como o sorriso, as ideias, a ironia e a inocência eram tão frágeis quanto o tempo, que assopra e dissipa todas as minhas boas histórias. Esqueça. Toda a minha única história, boa ou ruim, ninguém me disse nada ainda.
Sabe, é que quando se tem onze anos, se inventa histórias e o seu mundo as escuta, elas passam a ser verdade. Mas quando se cresce, e a fantasia já não é mais permitida, e as histórias ficam cada vez mais permanentes e consistentes, aí sim tudo vira mentira. Mas não é isso, amigo, que faz esse processo doloroso; É a lembrança do que foi um dia que nos atinge com força no estômago.
Eu chamo o vício em fantasia de submersão. Primeiro tem-se medo de afogar, mas depois se torna inconsequente. Chegará uma hora que você não vai conseguir nadar de volta. A falta de oxigênio irá te atordoar os sentidos, e então te fará viajar para o fundo, e aí, amigo, a superficie se torna tão ameaçadora quanto a morte. Eu tenho medo da superfície, eu tenho medo dos fatos e das reações, eu tenho muito medo de envolvimentos e de compromissos.
Estou fundo demais, ninguém me ouve.
A água é turva, ninguém me vê. Amém.
Olá exploradores ; )
Eu sei, eu sei, que havia prometido parar na parte 3...
Bom, estou de férias, quer dizer que o rítimo antigo de dois posts por semana vai voltar por um tempo. Ahhh, férias, era isso que a Clarice queria, só não sabia que tinha nome sim!
Espero que tenham gostado, graaaande abraço. Comentem!Confissão parte 1
Confissão parte 2
Confissão parte 3

Brilhante, brilhante!
ResponderExcluirCarla R.
Obrigada Carla ; ) seja bem vinda!
ResponderExcluirQue confissão mais profunda hein Lolita rs. Sabe que também ando meio submerso... Talvez no fundo todos estejamos, só que a maioria das pessoas não reconhece temer à superfície. Acho que Freud estava mesmo certo, ninguém consegue absorver a realidade completamente, o que nos leva a criar nosso universo à parte, com nossas ideias e fantasias, mas só quem tem um olhar poético sobre o mundo pode expor tudo isso de forma tão bela, como você fez =]
ResponderExcluirBeijoos poetisa, e continue sempre a escrever!
Entendi o sentido do seu "estou fundo demais", mas não posso deixar de lembrar do livro O Mundo de Sofia...e te recomendar: suba, vá ao ápice dos pelos do coelho, jamais se deixe ficar confortável na base dos pelos.
ResponderExcluirAbraço, boa semana!
Muito bom Lola, parabéns :D
ResponderExcluirJoão wil
"É a lembrança do que foi um dia que nos atinge com força no estômago."
ResponderExcluirLembrar de tais lembranças é o que nos torna cada vez mais humanos e menos exactos...
antes ser assim do que ser apenas um ser de pensamento mecanico (vazio).
Que permaneça a fantasia e a imaginação....
Sabe lidar com as palavras. Mais ainda, sabe utilizá-las para permanecer nas profundezas poéticas.Uma pena que a água se torna mais fria no fundo do mar. Vai ver, nós, que tentamos "decalcar" os sentimentos, gostamos do frio, ou nos adaptamos à ele.
ResponderExcluirPaz.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir